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Audiência Pública da Câmara dos Deputados sobre o Ciclo do Lítio e a Mobilidade Elétrica

Fala galera, beleza? No dia 03 de outubro de 2023, participei com meu colega de ABRAVEi, Diogo Seixas, da Audiência Pública da Câmara dos Deputados sobre o Ciclo do Lítio e a Mobilidade Elétrica. Infelizmente o tempo era curto e não pude falar tudo, mas vou colocar na íntegra o conteúdo que preparei.



Senhores representantes do poder público, entidades privadas e sociedade. Começo pedindo desculpas se minhas palavras soarão com uma carga um tanto quanto sentimental. Mas quero trazer a todos algo que vivo conscientemente todos os dias. A Mobilidade Elétrica é algo tão bom e estratégico para o Brasil que é meu desejo que realmente dê certo.


Gostaria de trazer um pequeno panorama da mobilidade no Brasil e a proporção que a mobilidade elétrica possui. De acordo com o relatório divulgado pelo SENATRAN em 12/2022, a frota brasileira era de 115.116.532 veículos, sendo que 52,20% dessa frota são de automóveis.


Dos 60.459.290 de automóveis registrados, apenas 121.368 são veículos eletrificados, apenas 0,2% da frota total até 12/2022. Lembrando que neste número estão os veículos híbridos leves, convencionais, plug-in, 100% elétricos, com extensores de autonomia e até mesmo por célula de combustível. Se formos considerar apenas os automóveis que podem utilizar a infraestrutura elétrica para o carregamento de suas baterias, o volume cai para 37.708 (apenas 0,006%) da frota de automóveis do Brasil.


Para não utilizar exemplos de mercados com maior tempo de maturidade em relação à mobilidade elétrica, gostaria de citar a Costa Rica. Durante o Congresso Lantinoamericano de Mobidade Eléctrica que está acontecendo neste instante na Costa Rica, o vice-presidente do país declarou que a frota de veículos 100% elétricos atualmente é de 11% do total da frota nacional. Não falam nem mesmo de veículos híbridos plug-in, mas de veículos exclusivamente elétricos.


A Costa Rica, semelhantemente a demais países, tratam a eletromobilidade como política de estado e não como política de governo. Mas não é simplesmente por moda ou espírito de inovação. Trata-se de estratégica de eficiência energética uma vez que 90% da energia da Costa Rica é fonte limpa e renovável. O que dizer então do Brasil que atualmente atingimos 93% de energia de baixo carbono e 92% de energia de fontes renováveis?


Muitos se preocupam com possíveis apagões ou sobrecarga do sistema de geração de energia. Todavia a ANEEL declarou em março deste ano que ultrapassamos a marca de 190 GW de capacidade instalada, sendo que apenas no ano de 2023, tivemos o acréscimo de 2,04 GW na produção. Não faz sentido um país como o Brasil desconsiderar seu potencial energético como uma fonte para a locomoção. Não peço que a mobilidade elétrica seja a única opção, mas que não seja menosprezada e tenha seu real valor reconhecido no quesito de eficiência energética.


O Pró Álcool teve sua importância na década de 1970 durante a crise do petróleo. Hoje, a mobilidade elétrica possui um potencial ainda maior em impulsionar o Brasil, tanto em relação a questões climáticas, industrialização, geração de empregos qualificados quanto ao potencial de exportação para América Latina, principalmente ao Mercosul.


Para tanto, é de extrema importância que a eletromobilidade seja considerada como pilar estratégico, como impulsionadora. Permitam que a mobilidade elétrica se desenvolva através de políticas públicas para a comercialização dos veículos (importados e nacionais), desenvolvimento da infraestrutura de recargas e incentivos a adoção dos veículos (tanto de uso coletivo quanto particulares).


Fala-se muito que a logística de distribuição de etanol já está consolidada, mas esquecem que a energia elétrica atinge quase que sua totalidade dos municípios brasileiros, mesmo que seja por sistemas intermitentes ou isolados, provando que até sua produção pode ser distribuída e diversificada.


Inclusive, observa-se uma tendência grande de produção de energia fotovoltaica nas residências atrelada ao uso de veículos elétricos. Trata-se da liberdade de produzir seu próprio combustível.


Mas não se trata apenas de comprar e vender carros elétricos. Trata-se promovermos o ambiente adequado para os brasileiros possam se locomover, sendo em carros ou ônibus, indo para o trabalho ou viajando de férias, usando o carro com a família ou de forma profissional.


Vemos dia após dia os veículos elétricos compondo a rotina das cidades e estradas brasileiras. Mesmo que contando com incentivos mínimos, a eletromobilidade está crescendo de forma que a infraestrutura de carregamento já começa a apresentar seus primeiros sintomas de saturação. Não digo em relação ao fornecimento de energia, mas em demanda de usuários.


Mesmo com investimento crescente das empresas privadas para aumento da rede e multiplicação dos carregadores disponíveis, o crescimento da frota acaba sendo ainda mais rápido. Um navio, em apenas uma viagem, consegue transportar quase 3.000 veículos. Para ser mais exato, foram 2.796 desembarcados apenas no dia 29/08/2023 no porto de Vila Velha. Um número muito pequeno ainda em relação ao tamanho a frota nacional, mas extremamente expressivo se formos considerar nossa infraestrutura de carregamento.


Para tanto, é necessário atuar de forma organizada, considerando, não somente o tamanho da frota atual em cada região, mas projetando o crescimento do volume em pelo menos cinco anos à frente. Em 2017, não chegávamos à 400 veículos 100% elétricos, hoje temos mais de 32 vezes esse volume em apenas 5 anos.


Repito mais uma vez para ficar bem claro: o tamanho da nossa frota elétrica ainda é muito pequeno em comparação a frota geral e precisa ser incentivada para o bem das nossas cidades que adoecem em fumaça e barulho. Mas não podemos esquecer da infraestrutura de recarga.


Sou motorista de aplicativo e tenho muito orgulho em dizer que muitos colegas vieram após mim usar também o carro elétrico como ferramenta de trabalho. A maioria conseguiu melhorar sua renda e qualidade de vida, todavia sofrem pela tímida rede de recargas e passam horas aguardando a vez para carregar durante o tempo que poderiam estar trabalhando ou com suas famílias.


Não basta pensarmos apenas em instalar carregadores sem planejamento, as cidades e estradas também precisam ser preparadas para este novo momento, tanto em relação a distribuição de energia local quanto para disposição de espaços físicos e as devidas regras de uso destes locais.


Já temos alguns passos positivos: como a previsão de vagas exclusivamente de recarga na Resolução 965 do CONTRAN, a regulamentação dos carregadores na Resolução 1.000 da ANEEL e até mesmo a obrigatoriedade de disposição de pontos de recargas em condomínios residenciais e comerciais nas cidade de São Paulo e Distrito Federal.


Mesmo com esses passos dados, ainda sim é pouco para a situação atual. Será que precisamos esperar que a mobilidade elétrica tome um tamanho que seja considerada um problema ou podemos trabalhar de forma organizada?


Completo 4 anos de carro elétrico neste dia 24 de outubro e 4 anos sem poder carregar em meu próprio condomínio porque os moradores acharam que eu seria o único favorecido. Infelizmente, temo que quando decidirem instalar os carregadores, será necessário instalar vários de uma vez ao invés de ampliar gradativamente. Esse receio serve tanto para ambientes privados quanto públicos.


Se podemos dizer que os campos estão aí para que seus frutos sejam colhidos, a energia que o Brasil nos proporciona está aí para que possamos mover nossa nação.


Agradeço a possibilidade de trazer minha experiência e espero ter contribuído com o assunto proposto.


Até mais.

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