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O custo da energia que os usuários não conhecem. Como mensurar o valor do kWh que deve ser cobrado?

Fala galera, beleza? Apenas para contextualizar, a ABRAVEi é a única Associação no Brasil que representa o usuário de veículo elétrico, tendo como maior patrimônio exatamente o usuário e troca de experiências. Neste final de semana, um dos associados trouxe a seguinte questão:


Qual o valor de custo da energia
Enquete sobre o custo do kW

A verdade é que muitas pessoas, mesmo dentre aquelas mais informadas, ficaram na dúvida como interpretar a questão. Afinal, a maioria dos usuários ainda está se adaptando ao mudança de km/L para km/kWh. Imagine tentar entender a diferença entre kW e kWh.


Para ser bem sincero, não sou a pessoa mais apropriada para trazer informações técnicas sobre este assunto, mas resumidamente, kW é uma unidade utilizada para medir potência ou força e kWh é uma unidade que se refere a quantidade de energia consumida.


Retornando a enquete feita, ela foi inspirada por diversos questionamentos e reclamações pelos usuários sobre os valores cobrados das estação de carregamento pagas. O ponto em questão é que, como consumidor final, a única referência que temos sobre o custo de energia é valor que pagamos em casa (muitos nem sabem qual foi seu consumo de energia, só o valor que pagam). Logo, se pagamos entre R$ 0,80 e R$ 1,00, por que as empresas cobram valores com mais de 100% de margem?


Um usuário residencial dificilmente terá que se preocupar com o preço do kW excedente, pois a residência estará dimensionada para consumir dentro do limite contrato junto a distribuidora e estará dentro do grupo B (baixa tensão) que terá sua conta de energia baseada em grande parte apenas na quantidade de energia consumida ao longo do mês.


Todavia, quanto falamos dos locais em que estão instalados os carregadores, principalmente os carregadores maiores, é bem provável que estejam em unidades consumidoras do grupo A (alta tensão). Este locais possuem muitas variáveis para se preocuparem, como o consumo excessivo em "horário de ponta" (entre às 18h e 21h), a demanda contratada e até se carregador está localizado em área rural ou urbana.


Ultrapassar os limites pode tornar a brincadeira bem cara. Sem contar que muitos estabelecimentos podem não ter se atentando que o perfil de consumo dos usuários da estação de carregamento traz maior complexidade ao modelo de consumo de energia contratado. Ou seja, o preço da energia no ponto de carregamento pode variar bastante para os estabelecimentos comerciais conforme os fatores indicados acima e tantos outros.


Existem ações que podem ser adotadas para mitigar o risco de pagar tarifas adicionais. Entendo como o primordial a reavaliação da demanda contratada, pois a instalação de energia solar ajuda na geração de crédito, mas surte pouco efeito quando falamos da extrapolação da demanda contratada. Outra ação essencial é a contratação através do Mercado Livre de Energia. Como forma de política de Estado para fomentar a mobilidade elétrica, seria possível considerar uma ação de regulamentação exclusiva para os pontos de carregamento, reduzindo o risco operacional, mas isso nem deve estar em pauta entre a agência reguladora e distribuidoras de energia.


Então, como mensurar o valor do kWh que deve ser cobrado do usuário e de uma forma que seja compreensivo o porquê da tarifa? Nada melhor que a transparência. Demonstrar os fatores que compõem o preço diminui o sentimento de abuso e ainda promove uma reeducação do uso.


Se você acha que seria difícil trazer à luz tantas variáveis de uma forma interpretável, tenho a feliz notícia que nossos irmãos do velho mundo apresentaram uma "receita de bolo" bem interessante. Uma empresa europeia chamada Miio apresenta o custo da recarga de forma variável, inclusive com a possibilidade de simulação.



Não digo que que precisamos adotar um modelo tão complexo de tarifação, mas a explanação sobre a constituição do custo da recarga seria muito benéfica, tanto para o consumidor quanto para o prestador de serviço. Não são poucas as vezes que sou questionado qual seria tarifa ideal para cobrar do usuário final , para ser bem franco, cada vez sei menos como responder essa pergunta.


Posso saber qual o valor que muitos aceitariam pagar, posso até imaginar qual seria o custo da recarga em casa, mas avaliar o preço justo a ser cobrado é algo muito além de aplicar uma margem de lucro sobre o valor da tarifa de energia.


A Resolução nº 1.000 da ANEEL é muito singela em relação ao assunto. O artigo 554 diz:

É permitida a recarga de veículos elétricos que não sejam do titular da unidade consumidora em que se encontra a estação de recarga, inclusive para fins de exploração comercial a preços livremente negociados.

Entendo que a melhor forma de regulamentação é baseando-se na tendência que o mercado adotar. Entretanto, a partir do momento que observa-se uma despadronização na construção de preços, é possível observar quem até mesmo as empresas prestadoras de serviço se perdem em suas estratégias comerciais.


Na minha mais humilde opinião, a cobrança considerando apenas um kWh é falha quando falamos de equipamentos com potências maiores. Penso que o mais adequado seria a constituição de um preço com base em 4 fatores: kW entregue, kWh consumido, tempo de recarga e tempo de ociosidade (idle fee). Quais os valores que cobraria em cada elemento? Aí é uma discussão que não me considero apto para opinar no momento, mas com muita vontade em discutir.


Até mais.

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