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Será que a mobilidade elétrica acabará com muitos empregos?

Atualizado: 13 de out. de 2023

Fala galera, beleza? Já ouvi diversas coisas contra a mobilidade elétrica. Desde dizer que o carro elétrico já morreu 3 vezes até alegarem que o carro elétrico polui mais que o carro à etanol porque a Europa queima carvão para produzir eletricidade.


Mas existe um argumento muito utilizado para jogar a sociedade contra a mobilidade elétrica que é o fechamento de postos de trabalho. Esse assunto é muito mais complexo, pois a mobilidade em geral atinge diversas áreas da economia. Então proponho avaliar separadamente cada parte. Para seguir uma lógica, vamos seguir a vida de carro:


Linha de produção


Fala-se muito que a produção de veículos elétricos exige menos mão de obra que a linha de produção de veículos à combustão. A verdade é que a automatização das linhas de produção que acabam gerando essa redução. Se formos avaliar, qualquer linha de produção que for montada hoje, terá um nível de automatização maior que linhas de produção montadas há 10 anos atrás. Como os veículos elétricos usam, em geral, plataformas cada vez mais exclusivas, é de se imaginar que serão montadas novas linhas de produção para a fabricação. Em resumo, não é o fato de ser um veículo elétrico que reduzirá o quadro de funcionários, mas sim por ser uma linha de produção moderna.


Setor de peças


É fato que o os veículos elétricos usam muito menos peças e o desgaste natural delas é mais tardio que nos veículos à combustão. Isso poderia gerar uma redução da demanda de peças para a produção e manutenção dos carros. Concordo que os sistema de tração é muito mais simples nos carros elétricos e que exige menos peças. Entretanto, o resto do carro continua igual.


Não vi ninguém preocupado com a empresas de carburadores quando a injeção eletrônica foi lançada. Sendo assim, imagino que eletrificação dos veículos só seria um problema para as empresas do setor de peças que não tiverem capacidade de acompanhar a demanda. Afinal, até os veículos à combustão se modernizam.


Revisões e Manutenção


Como já disse diversas vezes, a tendência é que um veículo elétrico tenha menos falhas mecânicas que um veículo à combustão, gerando menos visitas ao mecânico amigo. Entretanto, as revisões continuarão com uma frequência semelhante. Todavia, é aqui que o jogo começa a ficar mais favorável aos carros elétricos.


A tendência é que muitos problemas poderão ser diagnosticados e até resolvidos remotamente. Dessa forma, as concessionárias precisarão investir cada vez menos em um ambiente de manutenção dentro de suas estruturas e poderão optar por adotarem oficinas credenciadas e abrindo novas vagas especializadas.


Abastecimento ou Recarga


Aqui a situação é um pouco delicada, pois realmente não há a necessidade de intervenção de terceiros para o carregamento de um veículo elétrico. Pelo menos, desconheço a adoção de frentista elétrico. O ponto em questão é que a manutenção das vagas de emprego dos frentistas atualmente não acontece por uma necessidade operacional, mas por pressão dos sindicatos.


São poucos os países que exigem a presença de um funcionário do posto no abastecimentos dos veículos à combustão. Normalmente, o próprio motorista abastece o veículo e paga com o cartão através da bomba de combustível, por aplicativos, tags e, em último caso, pagam na loja de conveniência. Infelizmente preciso dizer que, os empregos de frentistas, assim como os empregos de cobradores de ônibus, são mais fundamentais para os próprios empregados que para o operação em si.


Mas para tranquilizar um pouco a galera da bomba, por muitos anos continuará existindo veículos à combustão. Estamos muito longe de atingir 1% da frota brasileira com veículos 100% elétricos. Se milagrosamente atingirmos 10% da frota nacional nos próximos anos, ainda teremos um imenso volume de veículos usando as mesmas bombas que já existem nos dias de hoje.


Novos negócios, novas oportunidades


Da mesma forma que vagas podem ser reduzidas, tantas outras serão abertas. Inclusive, muitos daqueles que apostam contra a mobilidade elétrica, justificam sua opinião devido a falta de infraestrutura de carregamento. Se há falta de infraestrutura, alguém terá que ser contratado para instalar.


Trata-se de uma oportunidade de ouro para alguém que atue na área de elétrica se especializar e sair na frente em um mercado com pouca mão de obra preparada. Quando me perguntam se a instalação de carregador de carro elétrico é muito complicada, eu sempre respondo que nada é tão difícil para quem sabe oque está fazendo.


Com o passar do tempo e com o uso cada vez mais intenso, as manutenções dos equipamentos serão inevitáveis. Ou seja, para um profissional que soube fazer um serviço bem feito durante a instalação, é certo que manterá uma carteira de clientes para manutenção dos mesmos equipamentos.


Não é só de números que vive o mercado de trabalho, precisamos considerar a qualidade dos empregos. Já existe uma necessidade imensa da especialização dos profissionais de manutenção, logística e até mesmo motoristas para lidar com os novos veículos.


Como é possível observar, o Brasil está bombando o número de aplicativos de operadores de redes de recarga e esses aplicativos não nasceram do nada nas lojas da Apple e Google. Os desenvolvedores precisaram aprender mais que um novo protocolo de comunicação, eles foram introduzidos a um novo universo de consumo. Da mesma forma os carregadores precisam de manutenção e melhorias, os aplicativos também demanda manutenção e monitoramento constante. Se você é desenvolvedor, coloque na sua lista de cursos algo sobre OCPP.


Para quem é da área de TI, sabe que o cliente pode até ter razão, mas nem sempre sabe exatamente oque quer ou precisa. Isso deixa os desenvolvedores um tanto quanto "malucos". Para isso, contam com a ajuda de Analistas de Negócios que saibam muito sobre toda a rotina do uso de um veículo elétrico e possam colaborar com a modelagem de novas soluções.


Carregar um veículo elétrico em sua casa, em geral, basta é plugar seu carro na carregador e pronto. Entretanto, se estamos falando de um serviço de carregamento, aumenta-se um pouco mais a complexidade da operação (nada absurdo, mas existe). Diferentemente do carro à combustão que sempre terá o frentista (pelo menos enquanto o sindicato mantiver pressão), os carros elétricos te proporcionaram a experiência do Self-Service automotivo. Mas se algo der errado, é aí que o Suporte Técnico especializado entra em ação.


Não há dúvida que as oportunidades de emprego estão surgindo rapidamente conforme a Mobilidade Elétrica cresce no Brasil. Até mesmo na área acadêmica é necessário que se forme um grupo de profissionais altamente qualificados, afinal, alguém precisa ensinar. Sendo assim, melhor que acreditar que a mobilidade elétrica acabará com muitos empregos, sugiro fortemente que se prepare para ser um profissional do futuro.


Até mais.

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