Taxa C: O Segredo definir a vida útil e a recarga de um Carro Elétrico
- Thiago Garcia

- há 6 dias
- 3 min de leitura
Fala, pessoal, beleza?
Hoje eu quero conversar com vocês sobre um assunto que parece técnico demais, mas que é o "pulo do gato" para quem quer realmente entender de mobilidade elétrica. Vou explicar do meu jeitinho o que é a bendita Taxa C (ou C-rate).
Se você está pesquisando para comprar um carro elétrico, já deve ter olhado motor, torque e o tamanho da bateria em kWh. Mas a Taxa C é o que define, na prática, o tempo que você vai ficar parado no carregador e, principalmente, a saúde química da sua bateria a longo prazo.
Mas afinal, o que é a Taxa C?
Para facilitar, a Taxa C é a medida da velocidade com que uma bateria é carregada ou descarregada em relação à sua capacidade total.
A conta que eu faço é simples:
1C significa que a corrente de carga ou descarga é igual à capacidade nominal da bateria. Se você tem uma bateria de 60 kWh, uma taxa de 1C significa que você está injetando ou puxando 60 kW de potência. Nesse ritmo, a bateria leva exatamente 1 hora para completar o ciclo.
2C? Você dobra a potência para 120 kW e corta o tempo pela metade: 30 minutos.
0.5C? Você usa metade da potência (30 kW) e leva o dobro do tempo: 2 horas.
O exemplo do meu "Mineirinho": O GAC Aion Y
Eu gosto de trazer exemplos reais. O meu Aion Y Plus tem uma bateria de 63,2 kWh. Quando eu levo ele para um carregador ultra-rápido (DC) e ele atinge o pico de 75 kW, eu divido a potência pela capacidade ($75 \div 63,2$) e chego a uma taxa de aproximadamente 1.2C. Já no meu Wallbox de casa (AC), que entrega 6,6 kW, essa taxa cai para 0.1C.
É importante você saber que essa taxa não é constante. O carro não carrega a 1.2C o tempo todo. Por isso as montadoras divulgam o tempo de 30% a 80%: é nessa janela que o sistema de gerenciamento (BMS) permite a Taxa C mais alta. Fora dessa faixa, o "C" cai para proteger a bateria contra o superaquecimento e a degradação acelerada.
O Limite da Tecnologia: O Recorde de 5.5C
Muita gente me pergunta quem ganha essa corrida hoje. Atualmente, o destaque global é o Zeekr 007 (da Geely). Ele utiliza a bateria Golden Brick que atinge impressionantes 5.5C. Isso significa carregar de 10% a 80% em pouco mais de 10 minutos. Mas como eles fazem isso sem "derreter" a bateria? O segredo é a arquitetura de 800V. Com uma tensão mais alta, você consegue entregar potências altíssimas com uma corrente (amperagem) menor. Menos corrente significa menos resistência e, consequentemente, menos calor.
Calor e a "Segunda Vida"
O grande vilão da bateria não é a energia, é o calor. Taxas C muito altas (como 3C, 4C ou 5C) estressam a química interna e podem causar o crescimento de "dendritos" (pequenas agulhas de lítio que podem causar curto-circuito). Por isso, fabricantes como a GAC focam em taxas mais conservadoras para garantir que a bateria dure 15 ou 20 anos.
E o mais legal: quando essa bateria "cansar" para o carro — ou seja, quando a Taxa C de descarga e a capacidade de armazenamento não for mais suficiente para as para aplicação em veículos elétricos, ela ainda é perfeita para sistemas de energia solar. Em uma casa, a exigência de descarga é baixa (raramente passa de 0.2C), e aquela bateria que já não servia para o asfalto pode durar mais uma década guardando a energia do seu telhado.
Na próxima vez que você for olhar um elétrico, faça a pergunta de ouro ao vendedor: "Qual é a Taxa C de recarga máxima desse carro?". Isso vai te dizer se ele é um carro irá atender sua necessidade durante as viagens.
Ficou com alguma dúvida sobre como calcular a Taxa C do seu carro? Deixa aqui nos comentários que eu te ajudo!
Até mais







Comentários