Qual será o futuro dos carros elétricos usados no Brasil?
- Thiago Garcia

- 23 de jan.
- 3 min de leitura

Hoje eu quero bater um papo com vocês sobre algo que me deixou pensativo após uma conversa que tive com o Alex Chen, diretor comercial da Geely do Brasil. Eu sempre soube que o mercado de elétricos era dinâmico, mas o que ele me contou sobre a realidade da China me fez perceber o quanto a nossa visão de "carro usado" aqui no Brasil é diferente do resto do mundo e refletir qual será o futuro dos carros elétricos no Brasil.
Vem comigo entender esse cenário, porque os insights que ele trouxe mostram que o futuro pode ser bem mais "descartável" (no bom sentido) do que a gente imagina.
China: Onde o carro elétrico é quase um smartphone
A primeira coisa que o Alex me explicou é que, na China, o mercado de carros usados praticamente não existe da forma que conhecemos. Lá, o ritmo de inovação é tão frenético que um carro elétrico com três anos de uso já é visto como "ultrapassado".
Foco total no 0 km: O chinês médio quer a bateria que carrega mais rápido e o software de direção autônoma mais atual. Ter o modelo do ano é o grande motor do consumo.
O destino é a reciclagem: Esse foi o ponto que mais me chocou na fala do Chen. Em vez de passar o carro para um vizinho, o chinês vê seu veículo antigo ser reciclado. Grande parte dos componentes é triturada e transformada em matéria-prima para fabricar novos carros. É a economia circular na prática: o carro "morre" para o novo nascer.
Brasil: O usado como o verdadeiro "carro popular"
Aqui no Brasil, a conversa muda de figura. Muita gente diz que somos "apaixonados" por usados, mas a real é que a gente não tem muita escolha. Com o custo de aquisição de um 0 km astronômico em relação ao nosso salário mínimo, o carro usado acabou ocupando o lugar do que um dia chamamos de carro popular.
Necessidade, não escolha: A gente compra usado porque é o que cabe no bolso. Mas, quando o assunto é o elétrico, surge aquele frio na barriga.
O medo da conta: Se o brasileiro já faz um esforço enorme para comprar um usado, o medo da degradação da bateria e a falta de uma política de reciclagem clara (como a que o Chen descreveu na China) travam o mercado. A gente precisa que o carro dure muito, mas a tecnologia EV corre em uma velocidade que o nosso poder de compra não consegue acompanhar.
Uma ponderação minha: O "Pulo do Gato" do Paraguai
Parando para analisar o que o Alex disse sobre a China e o que eu vejo acontecendo aqui do lado, não tem como não pensar no Paraguai. Enquanto o Brasil protege seu mercado e a China recicla, o Paraguai criou um caminho do meio muito inteligente.
Eles aproveitam que têm energia de sobra de Itaipu e, por meio de leis como a 6.925/22, permitem a importação desses elétricos usados que a China está "descartando" para renovar a frota. É uma sacada de mestre: eles absorvem a tecnologia que já não é "top de linha" lá fora, mas que para o nosso padrão ainda seria incrível, e com imposto zero. Eles transformaram o descarte chinês na solução de mobilidade deles.
Depois desse panorama, eu percebi que o futuro do carro elétrico no Brasil não depende só de ter carregadores nas ruas, mas de como vamos lidar com o preço e com o ciclo de vida deles. A China trata o carro como um recurso circular e o Paraguai como uma oportunidade de ouro. E nós? Continuamos dependentes de um mercado de usados que ainda não sabe como lidar com a bateria.
Não digo que devemos seguir o exemplo do Paraguai em relação a compra de veículos, mas podemos usá-lo como uma vitrine em relação ao uso de veículos elétricos de segunda mão e o que esperar em relação a vida útil e as possíveis manutenção.
Diante de tudo isso que eu contei, eu te pergunto: você teria a coragem de comprar um carro usado vindo direto da China?
Até mais!






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