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Arena ANTP 2023 deixa clara o caminho da mobilidade urbana


Painel da Arena ANTP 2023
Arena ANTP 2023

Fala galera, beleza? Participei nos dias 24, 25 e 26 de outubro da Arena ANTP 2023, congresso com foco na apresentação e debate acerca da mobilidade urbana brasileira. Foi a primeira vez desde que comecei a trabalhar com o mundo da mobilidade elétrica que consegui me focar em um evento de forma integral, isso fez toda a diferença para conseguir ter a noção do trabalho realizado por todos os envolvidos.


Acredito que a abertura do evento e os dois painéis do dia 24 foram o ponto alto e um excelente resumo do que está sendo construído em relação a mobilidade urbana, principalmente em relação ao transporte coletivo.


Primeiramente, é importante enfatizar que o último evento promovido pela ANTP aconteceu antes da pandemia, em 2019. Muitas coisas mudaram, não somente durante a pandemia, mas principalmente após. A COVID-19 gerou diversas mudanças, tanto na forma de fazer como também de ver as coisas.


Foi relatado que, durante o ápice pandemia, o volume de passageiros caiu para 20%, reduzindo a arrecadação das operadoras de transporte sem necessariamente trazer a mesma redução dos custos de operação. Entretanto, foi interessante observar que isso indica que 20% dos usuários do transporte público são trabalhadores de serviços essenciais.


Após o fim da pandemia, a quantidade de passageiros não voltou ao que era antes. Isso indica que uma parte relevante migrou para o transporte individual ou mudou seu hábito de deslocamento, como adoção trabalho híbrido.


Mesmo assim, o transporte coletivo brasileiro está muito longe de ser considerado satisfatório. Por conta disso, os painéis trabalharam em torno da seguinte questão: Como promover a melhoria da mobilidade urbana frente a redução da arrecadação?


Não é só de ônibus que se faz a mobilidade urbana, deve-se avaliar diversas formas de deslocamento, como sistemas sobre trilhos, bicicletas, patinetes e até mesmo promover condições do deslocamento a pé. Às vezes, só precisamos mudar o ângulo de observação do problema. Pensando nisso, a Urucuia foi responsável por apresentar este outro ângulo de visão, com a confecção de um relatório detalhado dos hábitos de locomoção.


Aliás a maior curiosidade que trouxeram é importância de adequar o transporte público para as mulheres. Não necessariamente falando apenas de violência e assédio, mas em relação ao deslocamento. Observou-se que as mulheres acabam usando muito mais integrações, andando mais e fazendo deslocamentos demorados e longos devido a rotina de levar os filhos para escola e depois irem para o trabalho. Dessa forma, gerou-se a necessidade de repensar o desenho de algumas linhas de ônibus com o objetivo de tornar o deslocamento mais ágil.


Claro que não possível mudar tudo, mas podemos fazer de uma forma mais eficiente. Não se pode esperar um resultado diferente fazendo as mesmas coisas. Discute-se como fazer esse deslocamento em massa, de forma mais ágil, confortável e, agora, de forma mais humanizada e inclusiva.


É aí que a mobilidade elétrica entra em cena. Difícil dizer o quanto foi falado sobre o assunto, mas garanto que esteve muito presente. Apesar de termos diversas formas alternativas, como o uso de Biocombustível, GNV e Hidrogênio, a Mobilidade Elétrica esteve presente em praticamente todos os painéis e apontada como a melhor opção na atualidade, tanto para redução dos custos operacionais quanto para cumprir as metas das 3 letras da moda: ESG.


Ônibus 100% Elétrico Mercedes-Benz
Ônibus 100% Elétrico Mercedes-Benz

Como os veículos elétricos seriam introduzidos na frota de transporte é algo muito particular para cada cidade, não há fórmula mágica. Ouvi diversas soluções apresentadas, mas sempre com o mesmo desafio: sistema de recargas, autonomia necessária, requalificação dos profissionais e investimento para aquisição dos novos veículos.


Quando falamos de veículos elétricos, é provável que a maior preocupação das pessoas será quanto à recarga. Entretanto, quando falamos de investimento e prestação de serviço público, o orçamento para fazer acontecer vem primeiro lugar, literalmente. Foi quase que concesso que os operadores não possuem condições de arcar com a atualização da frota, por conta disso, as prefeituras e estados estão adquirindo os veículos e cedendo para que sejam operados ou remunerando mais por cada veículo elétrico.


Painel sobre introdução do ônibus elétrico nas cidades brasileiras
Painel sobre introdução do ônibus elétrico nas cidades brasileiras

Todavia, as cidades brasileiras não são conhecidas por terem recursos abundantes em caixa para aquisição dos veículos. Bancos como o BNDES, BID, Banco Mundial e o banco alemão KfW já dispõem de fundos direcionados para projetos de mobilidade urbana de baixa emissão. O mais inusitado foi ouvir que falta projetos para financiamento, os recursos estão aguardando um destino para ser aportado.


Ah, então está sobrando dinheiro? Não é bem assim, mas algo precisa ser feito e o preço precisa ser pago. O problema é que não basta despejar dinheiro em projetos com pouca chance de sucesso ou resultados pouco relevantes. Por conta disso, muitos dos projetos de financiamento estão acompanhados de uma assessoria especializada, como da Urucuia, para garantir que os desejos virem, intenções, posteriormente em projetos e se tornem realidade.


Para concluir, algo precisa ser feito urgentemente pela Mobilidade Urbana brasileira e a ARENA ANTP proporcionou uma ótima oportunidade para saber qual é o caminho que está sendo construído. Garanto que é eletrizante ver tudo isso se materializar.


Carregadores na Garagem Transwolff
Carregadores na Garagem Transwolff

Graças a ARENA ANTP, pude visitar a garagem da TransWolff e ver como as empresas do transporte municipal de São Paulo estão se preparando para operar 2.600 veículos 100% elétricos. O caminho é longo, mas temos a energia para prosseguir.


Até mais.

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