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Do "Mato Alto" à Liderança: A Revolução da Frota Elétrica no Brasil (2017-2025)

Fala galera, nada melhor que acordar com boa informação. Ao seguir meu ritual matinal de olhar as mensagens assim que abro o olho, fui contemplado com um vídeo encaminhado por meu amigo João Igor do JS.Elétricos. O vídeo em questão é de uma matéria de 17/12/2017 do Auto Esporte, onde entrevistou alguns malucos visionários da eletromobilidade brasileira, que, não coincidentemente, são os fundadores da ABRAVEi.



Assistir àquela matéria hoje, em janeiro de 2026, traz uma sensação incrível de "visão no retrovisor". Naquela época, o cenário era de pura resistência. Estávamos em um Brasil onde o carro elétrico era um "OVNI" e a infraestrutura era um deserto. Mas, para entendermos o tamanho do salto que demos, precisamos colocar os números de 2017 e 2025 lado a lado. Não há frase melhor para definir esse efeito que Revolução da Frota Elétrica no Brasil.


O Abismo entre o Ontem e o Hoje

Abaixo, preparei uma tabela que resume essa metamorfose. É de cair o queixo:


Evolução da Mobilidade Elétrica no Brasil: 2017 - 2025
Evolução da Mobilidade Elétrica no Brasil: 2017 - 2025

O Papel das Políticas Públicas: O Alicerce de Tudo

Se hoje celebramos esses números, precisamos lembrar do que destravou o mercado lá atrás. O maior catalisador foi, sem dúvida, a isenção do Imposto de Importação para veículos 100% elétricos, que perdurou por anos. Foi essa "porta aberta" que permitiu que marcas como BYD e GWM entrassem com força. O retorno gradual desse imposto começou em janeiro de 2024, escalando para 18% em julho de 2024, 25% em julho de 2025, e atingindo o teto de 35% agora em julho de 2026. Esse cronograma foi desenhado justamente para forçar a transição da importação para a produção nacional, que já é realidade.


Além do imposto de importação, outros incentivos foram cruciais:


  • IPI Reduzido: Veículos elétricos historicamente gozaram de alíquotas de IPI menores (entre 7% e 9%) comparadas aos carros a combustão de mesma categoria.


  • IPVA Zero ou Reduzido: Estados como Paraná, Rio de Janeiro e o Distrito Federal foram pioneiros em zerar ou reduzir drasticamente o IPVA de elétricos, um alívio direto no bolso do proprietário.


  • Isenção de Rodízio: Em São Paulo, o maior mercado do país, a isenção do rodízio municipal foi (e continua sendo) um dos maiores argumentos de venda para quem precisa de mobilidade urbana diária.


Lições de Sucesso pelo Mundo

Não estamos inventando a roda; estamos seguindo caminhos que já provaram seu sucesso:


  • Noruega: O caso mais emblemático do planeta. Com isenções pesadas de impostos e privilégios de tráfego, o país conseguiu que mais de 93% das vendas de carros novos fossem de elétricos em 2024.


  • China: Através de subsídios diretos ao consumidor e fortes investimentos em infraestrutura de recarga rápida, o país tornou-se o maior mercado global e o principal exportador de tecnologia BEV, derrubando o custo das baterias para o mundo todo.


  • União Europeia: Com metas agressivas para o fim da venda de motores a combustão até 2035, o bloco forçou a indústria tradicional a se reinventar, acelerando a inovação tecnológica que hoje colhemos aqui no Brasil.


Esses exemplos mostram que, quando o governo sinaliza para onde o mercado deve ir, a iniciativa privada responde com rapidez e escala. Mas, no Brasil dos tempos atuais vemos o oposto. Apesar do governo pouco se movimentar um prol da eletromobilidade, o mercado continua crescendo de forma sustentável de forma econômica, social e ambiental.


Eficiência e o Mito do "Apagão"

Uma das grandes dúvidas daquela época era: "o sistema elétrico vai aguentar?". A resposta técnica de 2025 é um sonoro sim.


Enquanto a nossa frota plug-in cresceu exponencialmente, a capacidade instalada do Brasil também saltou de 157 GW (2017) para 215 GW (2025). Hoje, todos os carros elétricos do país consomem apenas 0,11% da nossa geração anual. Ou seja, o sistema não apenas aguentou, como tem sobra para carregar milhões de novos veículos que virão, especialmente porque os motores ficaram mais eficientes, baixando o consumo médio de 20 kWh para 14 kWh por 100 km rodados.


Do "Cabo pela Janela" ao Negócio Bilionário: A Evolução da Recarga

Outro salto que o vídeo de 2017 nos faz lembrar é a precariedade da recarga. Naquela época, ser dono de um elétrico era dominar a arte da "tomada amiga". Dependíamos da boa vontade de gerentes de hotéis, de tomadas industriais escondidas em postos de combustível e, muitas vezes, de extensões improvisadas que viravam atração turística por onde passavam. Os poucos carregadores que existiam eram frutos de projetos isolados de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) de concessionárias de energia, quase sempre desligados ou sem manutenção.


Corta para 2025: a "tomada amiga" deu lugar a um mercado estruturado de serviços de recarga.


  • Profissionalização: Saímos do carregamento gratuito e incerto para redes de CPOs (Charge Point Operators) profissionais. Hoje, operadoras como Tupi, VoltBras, EasyVolt, Moove, Voltta, InCharge, Zletric, entre tantas outras, transformaram a recarga em um negócio de conveniência, com aplicativos que mostram em tempo real se o carregador está ocupado ou em manutenção.


  • Corredores de Ultra-vulnerabilidade: Em 2017, um carregador de 7 kW era luxo. Em 2025, cruzamos o país com carregadores ultra-rápidos de 150 kW a 350 kW, que entregam 80% da bateria no tempo de um café e um pão de queijo.


  • Ecossistema de Serviços: O que era um experimento virou serviço essencial. Shoppings, supermercados e condomínios agora competem para oferecer a melhor infraestrutura de carga, entendendo que o dono de elétrico é o cliente que decide onde vai gastar seu tempo e dinheiro com base na disponibilidade de um conector Tipo 2 ou CCS2.


O Exercício de Previsibilidade: O que vem por aí?

Se dezembro de 2025 fechou com os plug-ins dominando 13% das vendas mensais, o que esperar para o final de 2026?


O cenário aponta para a nacionalização. Com as fábricas da BYD e GWM operando a todo vapor em solo brasileiro, o carro elétrico deixa de ser um "importado de luxo" para se tornar o padrão da indústria nacional. Prevemos que, em dezembro de 2026, a frota de plug-ins alcance finalmente o seu primeiro 1% de market share da frota total circulante. Pode parecer pouco, mas em um país com 45 milhões de veículos, é um exército de silêncio e eficiência.


A Importância dos Visionários

Olhar para aquela matéria de 2017 e ver os fundadores da ABRAVEi lutando por cada eletroposto e explicando o básico para uma audiência cética nos faz entender o valor da base. Esses primeiros usuários — os "early adopters" — foram os verdadeiros heróis dessa jornada.


Eles não compraram apenas carros; eles compraram uma causa. Sem a insistência desses malucos visionários em criar uma comunidade, cobrar políticas públicas e provar que era possível rodar o Brasil na tomada, as montadoras jamais teriam investido o que investiram aqui. Se hoje você consegue carregar seu carro em um shopping ou em uma rodovia no meio do nada, agradeça a quem, lá em 2017, apontou o caminho quando tudo ainda era mato (e pouca voltagem). Aproveite para fazer parte dessa força www.abravei.org


O futuro chegou, e ele é silencioso, eficiente e, acima de tudo, imparável.


Até mais.

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